Vultos da Familia Albernaz





Ficha Técnica

  • Tema: Cão (Temática Profana, Representação Animal)
  • Título: Túmulo com jacente de Dona Margarida de Albernaz
  • Artista: desconhecido
  • Localização geográfica: Lisboa; Lisboa: Sé de Lisboa. Claustro. Capela da Misericórdia.
  • Proveniência:
  • Datação: Século XIV (segundo quartel)
  • Localização no túmulo: tampa. jacente. pormenor
  • Dimensão: 211X80X65 cm
  • Material: Calcário de liós
  • Estado de conservação: Bom
  • Descrição: Sarcófago exento. Arca paralelepipédica, com decoração no quatro faciais, assente sobre quatro leões e com jacente sobre a tampa. Decoração da arca: brasão da tumulada, repetido nas quatro faces, num total de oito (três em cada facial maior; um em cada topo), sobre fundo liso. Jacente de Dona Margarida de Albernaz (falecida após 1327), segunda mulher de Dom Nuno Fernandes Cogominho, almirante-mor do no tempo de Dom Dinis, almotacé-mor de Dom Afonso IV e chanceler-mor de Dom Pedro I. O jacente, deitado de costas, veste túnica ornada por um renque de botões, sob manto seguro no peito por grande firmal com escudete liso; um colar de grossas contas desce até ao ventre; a cabeça, protegida por véu soqueixado, repousa sobre duas largas almofadas; as mãos seguram um livro aberto, assente sobre o ventre; os pés apoiam-se num cão, deitado sobre as quatro patas (as dianteiras cruzadas) e com guiseira no pescoço.
  • Heráldica: Armas de Cogominhos: “Cinco chaves postas em pala e colocadas em aspa, com os palhetões para cima, virados à destra, providas de pequenas argolas de pega” (Luís Gonzaga de Lencastre e Távora, A Heráldica Medieval na Sé de Lisboa, Lisboa, Ramos Afonso e Moita, 1984, p. 36); Armas de Albernazes: “Quatro candelabros de sete lumes ou arbustos muito esquemática e geometricamente estilizados” (Luís Gonzaga de Lencastre e Távora, A Heráldica Medieval na Sé de Lisboa, Lisboa, Ramos Afonso e Moita, 1984, p. 36)
  • Inscrição: não se aplica
  • Documentação anexa: não se aplica
  • Bibliografia: DIAS, Pedro, “A escultura gótica. Primeiras manifestações”, História da Arte em Portugal, vol. IV, Lisboa, Alfa, 1986, p. 124; FERNANDES, Carla Varela, Memórias de Pedra. Escultura Tumular Medieval da Sé de Lisboa, Lisboa, IPPAR, 2001, pp. 82-87; SOUSA, J. M. Cordeiro de, “Os ‘Jacentes’ da Sé de Lisboa e a sua indumentária”, Sepª de Revista Municipal, nº 48, Lisboa, 1951; SUMAVIELLE, Elísio, Sé de Lisboa, Lisboa, Edições Teorema, 1986; SILVA, José Custódio Vieira da, “Memória e Imagem. Reflexões sobre Escultura Tumular Portuguesa (séculos XIII e XIV)”, Revista de História da Arte, nº1, Lisboa, Instituto de História da Arte - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 2005, pp. 47-81; TÁVORA, Luís Gonzaga de Lencastre e, A Heráldica Medieval na Sé de Lisboa, Lisboa, Ramos Afonso e Moita, 1984
  • Autor da foto: José Custódio Vieira da Silva
  • Data da foto: 2006-05-18
  • Data da ficha: 2006-06-01
  • Catalogadores: Joana Ramôa; José Custódio V. Silva

Extraido do GENEALL,net - ARMAS DOS ALBERNAZES

Armas dos Albernaz

Este tópico está classificado nas salas: Heráldica

Armas dos Albernaz

#273811 | rogeriod | 01 Abr 2011 19:48
Além das representações conhecidas das armas da família Albernaz no túmulo de Margarida Albernaz na Sé de Lisboa, e da inscrição relativa a Martim Albernaz no Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra, ambas do periodo medieval, alguém conhece outra representação das armas desta família (exceptuando, claro está, os armoriais conhecidos)?

Obrigado desde já.

Rogério
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RE: Armas dos Albernaz

#274203 | 291O | 07 Abr 2011 22:05 | Em resposta a: #273811
Caro Rogério

Por acaso sabe a filiação desta Margarida Albernaz?
Será ela filha do Domingos Migueis Abernaz, de Lisboa?

Atentamente,

Óscar Caeiro Pinto


1-MARGARIDA ALBERNAZ, natural de Lisboa, sepultada na capela da Misericórdia, na Sé de Lisboa, com as armas dos Albernaz e Cogominho. Foi segunda mulher de NUNO FERNANDES COGOMINHO, senhor de Chaves e almirante-mor.

2-FERNÃO NUNES COGOMINHO, casou com ISABEL FERNANDES PIMENTEL, filha de Fernão Vasques Pimental e de Maria Rodrigues.

3-BEATRIZ FERNANDES PIMENTEL, casou com GONÇALO NUNES BARRETO, filho de Nuno Martins Barreto e de Berengária Rodrigues de Menezes.

4-GIL BARRETO, casou (segundo Alão de Moraes, tit. de Pessanhas) com JÚLIA PESSANHA, filha do almirante Emanuel Pessanha e de sua segunda mulher Leonor Afonso, neta paterna de Lançarote da Franca e de N…Afonso, moradores em Tavira.

5-ANDRÉ GIL BARRETO, casou com ANTÓNIA DE MELO, filha de Pedro Lourenço Ferreira e de Antónia de Melo

6-BRITES GIL BARRETO, casou com AIRES GOMES DE QUADROS, de Aveiro, filho de Alfonso de Quadros, natural de Sevilha e de Catarina (Gomes). C.g. nos Quadros
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RE: Armas dos Albernaz

#274793 | rogeriod | 18 Abr 2011 21:12 | Em resposta a: #274203
Caro Óscar,

Desculpe não ter respondido antes.

Em resposta à sua questão, nada sei sobre a ascendência de Margarida Albernaz, o que de facto parece reflectir o estado actual da questão. Miguel Gomes Martins que investigou esta família e publicou em 2002, diz o seguinte sobre a ascendência de Margarida Albernaz, que transcrevo:


"Também não nos foi possível identificar qualquer grau de parentesco como Domingos Miguéis ou com Martim, João e Pedro Domingues Alvernaz, embora, pelas cronologias, seja possível tratar-se, respectivamente, de pai e irmãos, ou de tio e primos de D. Margarida Alvernaz, podendo a acima referida D. Maria ser mulher de qualquer um destes e, como tal, mãe, irmã, tia ou prima de D. Margarida."

Fonte: Miguel Gomes Martins, "Os Alvernazes: Um percurso familiar e institucional entre finais de Duzentos e inícios de Quatrocentos", in Cadernos do Arquivo Municipal, Câmara Municipal de Lisboa, 2002, p.10-43.

Pessoalmente, estou interessado na presença de indivíduos de apelido Albernaz no Algarve, pelas seguintes razões:

- descendo de uma família "Albernaz" da freguesia de Moncarapacho, em linha recta varonil pelo meu lado materno, que consegui traçar até finais do século XVI (ainda me faltam indexar dois livros mistos de Moncarapacho com os registos quinhentistas, pelo que poderei ainda recuar um pouco mais). Esta família usou "Albernaz", "Dias Albernaz" e "Domingues Albernaz" até meados do século XIX.

- o apelido Albernaz é relativamente "raro" no Algarve, e mesmo no resto de Portugal, excepto nos Açores, para onde se sabe que um ramo dos Albernazes emigrou e onde houve grande continuidade do apelido. Digo isto, claro está, contrariamente a outros apelidos de utilização mais frequente, tais como Gomes, Rodrigues, Martins, etc. Assim sendo, estou intrigado em saber como este apelido veio ter ao Algarve. Será que terá tido algo a ver com Martim Albernaz (1342-c.1370) que foi corregedor em Tavira, documentado nesse cargo em 1351?

No que diz respeito às armas desta família, também estou intrigado pelas diferenças entre as utilizações práticas das armas e conhecidas antes da regulamentação do uso de armas (quando estas eram assumidas) e os armoriais que documentam as mesmas, que datam de uma altura em que o uso de armas era já concedido e por conseguinte, regulamentado.

Se vier a encontrar algo referente a ambos os temas, Albernazes de Moncarapacho e/ou do Algarve ou heráldica da família Albernaz, ficaria muito grato pela partilha de informação.

Melhores cumprimentos

Rogério
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RE: Armas dos Albernaz

#274818 | josécyr | 19 Abr 2011 10:26 | Em resposta a: #274793
Caro Rogério,
Depoisde lida a tua mensagem pergunto se encontraste algo mais na ascendência do Manuel Dias de Albernaz, casado com Catarina Rodrigues, em Moncarapacho, a 08.02.1673? Eu tenho como pais dele o casal Sebastião Dias Pires e Leonor Fernandes. Daí para o passado são só suposições. Encontraste algo que o confirme ou o ligue ao António Albernaz de circa 1545?. Segundo creio a Leonor Fernandes deve ser descendente de um tal João Fernandes Albernaz e de Leonor Afonso. Um abraço.
Zé Cabecinha
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RE: Armas dos Albernaz

#274844 | rogeriod | 19 Abr 2011 21:27 | Em resposta a: #274818
Caro Zé,

O que eu tenho documentado é o seguinte:

Manuel Dias Albernaz, filho de Sebastião Pires e de Leonor Fernandes, nasceu 14.11.1621, morreu 17.03.1677, casou com Catarina Rodrigues em 08.02.1673 - todos estes eventos em Moncarapacho.

Não consegui ainda localizar o casamento de Sebastião Pires com Leonor Fernandes - começo a desconfiar que este tenha tido lugar noutra freguesia, embora tenha ainda esperança que o registo esteja perdido nos dois livros mistos que ainda estou a pesquisar, dado que há registos de datas e tipos diferentes misturados, por vezes sem qualquer nexo cronológico.

Tú dás o Sebastião Pires como sendo Sebastião "Dias" Pires - onde encontraste uma referência documental em que o nome seja designado como contendo "Dias"?

O entroncamento nos Albernazes segue por ascendência da Leonor Fernandes casada com o Sebastião Pires. Ela é filha de Fernão Gil (que nasceu 13.02.1571 - morreu antes de 12.10.1622) e de Maria Gonçalves. Não tenho (ainda) o registo de nascimento dela, mas no testamento de António Albernaz (Arquivo Municipal de Olhão, datado 1605), ela é referida como sendo sua sobrinha Leonor, filha de Fernão Gil, irmão dele testador António Albernaz, que deixa por seu testamenteiro este seu irmão Fernão Gil. Acontece que quando António Albernaz morreu (em 1622) o irmão Fernão Gil já tinha morrido, pelo que a função de testamenteiro, foi executada pelo genro Sebastião Pires, marido de Leonor (Fernandes)!

Fernão Gil (e António Albernaz) são filhos de um outro António Albernaz e (uma outra) Leonor Fernandes (morta antes de Outubro de 1584) - este António Albernaz (pai de Fernão Gil e de António Albernaz) volta a casar uma segunda vez com Catarina Lourenço em 23.10.1584 (do qual teve descendência), e morreu em 09.01.1592.

Tenho ainda como possiveis irmãos deste António Albernaz (casado com Leonor Fernandes/Catarina Lourenço) - mas sem estar ainda documentado:

- João Fernandes Albernaz (casou 2ª? vez com Catarina Vaz em 04.11.1585, morreu em 11.04.1589)
- Beatriz Albernaz (casou com Domingos Pires (de Faro) em 19.11.1585)

Estas duas relações familiares não estão ainda documentadas, são meramente supostas, baseadas na cronologia. Dado que estou a ver os livros desta altura (recuando) penso dentro de algumas semanas ter mais novidades.

Na próxima semana estarei de férias no Algarve, e posso dar-te informação impressa mais detalhada.

Um abraço

Rogério
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Albernaz

"Família antiga, da qual se conhece no fim do século XIII e começo do seguinte D. Margarida de Albernaz, segunda mulher de Nuno Fernandes Cogominho, almirante do Reino em tempos de D. Dinis, almotacé-mor de D. Afonso IV e chanceler-mor de D. Pedro I, filho de D. Fernandes Cogominho e de sua mulher, D. Joana Dias.

D. Margarida de Albernaz e seu marido deixaram geração, procedendo deles os Cogominhos, e fundaram a capela de Nossa Senhora da Misericórdia na Sé de Lisboa, onde, em túmulo com figura jacente e as armas dos Albernazes e dos Cogominhos, jaz o corpo desta senhora.

No ano de 1378 instituiu um vínculo, que uniu à capela de Santo Estácio da Sé de Lisboa, Martim Afonso de Albernaz. Nos registos de D. João I também figura outro Albernaz, Álvaro Martins, dos Paços do Lumiar, talvez filho daquele, como faz supor o patronímico.

No tempo de D. Afonso V passou a Portugal Fernão Carrilho de Albernaz, que se casou com Maria Borges, de quem nasceu Fabião Borges de Albernaz, morador em Guimarães, pai de Diogo Borges de Albernaz, natural da mesma vila, que viveu na ilha da Madeira, onde deixou geração, e teve Carta de brasão de armas em 30-III-1538, e de Martim de Mesquita Borges, morador em Goa, que também tirou brasão de armas no ano de 1562.

As suas armas são: Esquartelado de azul e prata, com quatro carapeteiros de um no outro. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete



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